O HAITI DAQUI TAMBÉM PRECISA DE AJUDAA solidariedade humana está em evidência. Médicos, engenheiros, doadores ou simplesmente cidadãos do mundo inteiro tentam reconstruir o que a ganância nunca permitiu construir: o Haiti. O brasileiro também é generoso e, poucos dias após a tragédia, mais de mil médicos civis querem ser voluntários e outras 900 pessoas querem adotar órfãos da ilha. Há, ainda, doações de nossos milionários e grandes empresas de bom coração.
Tudo isso, perto do caos do Haiti, ainda é pouco; mas, se feito antes das tragédias, será suficiente. Por aqui, existe um Brasil que não reside em condomínios fechados e luta pela sobrevivência diária contra deslizamentos, doenças e violência. Um Haiti soft - se bem que, para milhões de brasileiros, não é tão soft assim.
MIL engenheiros espalhados por Sampa, com o apoio de voluntários das comunidades (pedreiros, pintores, encanadores e eletricistas por necessidade), poderiam construir um mundo novo para as vítimas das chuvas de amanhã. Os novos terrenos seriam doados pelos antigos milionários; o material de construção, pelas grandes empresas de bom coração. De dezembro para cá, são pelo menos 59 mortos pelas chuvas no Estado - a maior parte na metrópole; e nos próximos dezembros e janeiros que vêm por aí?
MIL profissionais de saúde atuando nos bairros de Salvador, com o apoio de voluntários das comunidades, poderiam minimizar a dengue, a leptospirose e outras doenças. Em 2009, no mínimo 122 mil baianos sofreram com a dengue, a maioria em Salvador; 66 tiveram menos sorte e morreram. O que dizer do sofrimento e morte das maiores populações de órfãos nas cidades, os animais de rua?
900 crianças adotadas resolveriam o problema de mais de 10% das crianças que estão aguardando adoção no país. Para os cinco estados mais pobres do Brasil (Alagoas, Maranhão, Piauí, Paraíba e Sergipe) seria suficiente.
O Haiti de lá precisa da ajuda de todos; o Haiti daqui precisa apenas da nossa própria ajuda. De preferência, antes que a tragédia de cada dia nos faça aparecer nas televisões do mundo inteiro.
Fontes: Defesa Civil de São Paulo, Secretaria de Saúde da Bahia (SESAB), Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) e Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Texto e ideia: Rogério Alvarenga
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