quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

>>> agenda >>>

ATO 1º
Paullo Phirmo lança seu livro e propõe modificar a si mesmo e aoS mundoS

por Rogério Alvarenga

Do sítio à conurbação, do eu à multidão, o escritor Paullo Phirmo percorre as contradições da nossa espécie, da nossa sociedade. Não é uma defesa do meio ambiente nem uma ode ao ecologicamente correto. É, tão somente, um conjunto de percepções relatadas em forma de poesia. Mas dá gosto ler que uma de suas percepções fala em "abrir mão/ de hábitos/ gostos/ gastos". Que os membros do COP-15 percebam seus mundos dessa forma.

O susto pode tomar conta do leitor ao se deparar com a dedicatória da poesia "Verde": "aos meus amados irmãos não-humanos, privados de escolha. Que esse horror acabe". Seguindo as páginas do Ato 1º, o animal no prato vira "um amigo desossado", e o zoológico, "sofrimento/ sobrevida/ animal".

O personagem continua sua saga em busca de compreender o comportamento humano - se é que busca isso. Em "Momento Primitivo", mostra a desconfiança que toma conta do ser moderno: "preconceito/ medo/ reação de primeiro momento". Em "Conurbação", percebe onde vive: "cidade/ poluição/ população/ condição". E enxerga o que faz pessoas suportarem essa condição: "sobre o caos/ a mudança/ as instâncias/ o plural/ além do caos/ a tolerância/ as operâncias/ o atual".

Paullo Phirmo lança "Ato 1º" no dia 18 de dezembro, às 19h, na Casa das Rosas, em São Paulo. Se parece difícil, na sociedade atual, conseguir um tempo para a literatura, talvez você precise suar um pouco: "suei a vida toda/ suei de noite/ suei de dia/ suei ao encontrar o meio amor/ suei de prazer".

Um bom programa cultural no mês dos Direitos Humanos e dos Direitos Animais.

>>> ART.i.GO! >>>

ENCHENTE EM FRENTE:
DE QUEM É A CULPA?

São Paulo para e a vida continua. Mas nem todos continuam: pelo menos dez pessoas perderam a vida nos últimos dias. Outras dezenas perderam alguém. Outros milhares, perderam seus bens mais básicos

"A culpa é da chuva", dizem os mais apressadinhos. Mas a Dona Chuva sempre existiu - às vezes mais presente, outras vezes bem ausente, mas sempre existiu. Agora, com as mudanças climáticas, chove mais num lugar e menos noutro. O clima já é um desequilíbrio por natureza e agora se juntou ao ser humano, que geralmente é bem desequilibrado.

"A culpa é dos políticos", dizem os mais cultos. Mas o que os mais cultos têm feito para evitar a favelização dos grandes centros? E, no trânsito, trocaram os seus carros-caos por uma bicicleta ou um par de tênis? Ou estão queimando combustível e pedindo passagem nas sufocantes superlotadas avenidas? Os cultos votariam num político que propusesse a redução das vias do Tietê para deixar o rio e as bicicletas correrem?

"A culpa é dos carros, das indústrias e da urbanização desenfreada", dizem os ecologistas tradicionais. Mas os carros, as indústrias e a urbanização não têm cérebro, não têm consciência nem escolhem seus atos. Carros não andam sozinhos; indústrias não vendem sozinhas; cidades não crescem sozinhas.

Buscar culpados é bom para aumentar a audiência. De detetive e louco, todo mundo tem um pouco. Mas reconhecer responsabilidades e enxergar o futuro é melhor para quem prefere salvar a vida de futuros desabrigados a salvar... a audiência.

Texto e ideia por Rogério Alvarenga
Foto por Levi Oliveira
Edição de foto por Rogério Alvarenga

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

>>> mini >>>


A BARBÁRIE É HUMANA

Afinal, o que nos diferencia dos outros animais? Talvez a vontade de matar por crueldade, o fetiche pela violência e barbárie. Outra diferença é a paixão e o amor. Pensando no amor como fonte de inspiração e engenho humano, é possível ser otimista. O amor é a possibilidade de distância de si mesmo e da pretensão humana.

Aquilo que une os animais é muito mais valioso do que aquilo que possa separá-los. Ser bicho ou ser homem é só uma questão de perspectiva. Nós, humanos, temos uma tradição secular de nos posicionar num patamar superior ao resto dos animais, inclusive com respaldo religioso. Afinal, fomos moldados à semelhança de Deus!

Qual o quê? No fundo somos vida e, ao fim e ao cabo, também buscamos uma boa tarde, noite ou manhã de sexo, comida e bom sono. Animais, somos animais como todos os outros. E, como diria Drummond, “Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?”

Sejamos amorosos.

Texto e ideia por Omar Mendes
Foto por Analu Sousa.

>>> data.show >>>

A CHEGADA DO "BOM" VELHINHO
Encontramos jogada no lixo essa cartinha. Será que alguém adotou essa carta e seu pedido será realizado?


Texto e ideia por João Henrique Araújo Virgens
Edição e ideia por Rogério Alvarenga

sábado, 31 de outubro de 2009

>>> reportagem >>>

GREEN BUILDINGS
A natureza como fonte de inspiração

>>> Novos prédios utilizam recursos sustentáveis para a conservação do meio ambiente


por Gustavo Mendanha
[gustavo.mendanha@hotmail.com]


O termo ainda vive no Brasil os primeiros dias de uma nova era: a da sustentabilidade. Não bastassem as campanhas de publicidade milionárias em prol do planeta, divulgadas com freqüência nos meios de comunicação, agora é a vez de a construção civil embarcar nessa revolução verde, que atravessa os quatro cantos do globo e leva consigo uma nova proposta: diminuir os resíduos lançados no meio ambiente.

A moda das construções sustentáveis surgiu na década de 1990, porém, ganhou força na entrada do novo milênio, quando autoridades mundiais e líderes de ONGs ambientalistas começaram a apontar suas preocupações com o planeta, iniciando uma série de campanhas de proteção à biodiversidade e combate ao aquecimento global. Com isso, diversos setores da economia tiveram que se adequar às novas exigências do Protocolo de Quioto e outros tratados e normas internacionais em favor do meio ambiente.

Nos dias de hoje, o conceito Green Building – ou Prédio Verde, na tradução literal – está associado aos princípios do desenvolvimento sustentável colocados em prática em todos os processos de uma construção. Ou seja, a ideia é levantar prédios para fins diversos, mas que utilizem materiais e tecnologias de impacto reduzido no meio ambiente, desde a concepção do projeto até a operação desse edifício. Este conceito sugere a conservação da água e das energias, o reuso de materiais, e estabelece a sustentabilidade na cadeia de produção, levando em conta aspectos culturais e sociais dos países que o adotam. [...]

Quer saber mais sobre "prédios verdes", suas diferenças para os convencionais e o selo Leed? Leia a reportagem completa aqui.

>>> culturas >>>

LIMONADA SEM AÇÚCAR
Desafios, limões e sinergia invadem o fim do ano do trabalhador


Fim de ano é hora de se desligar do trabalho, curtir a família e viajar. Ninguém discorda. Ou melhor, quase ninguém; o problema é convencer a chefia disso. Fim de ano, em boa parte das empresas, é hora de ouvir as pérolas do ano, devidamente treinadas em programas de capacitação ou ouvidas em palestras de motivação.

Fim de ano, por exemplo, é época de "novos desafios" - ou simplesmente novos problemas. Poucos gostam de problemas, mas muitos gostam de desafios. Os chefes descobriram isso e não param de inventar desafios como as demissões em massa ou a pressão em forma de metas.

Fim de ano, por exemplo, é época de trabalhar dobrado - afinal, ganhamos dobrado em dezembro, uma conquista trabalhista. Mas não reclamemos: o importante é "fazer do limão uma limonada" - ou seja, conseguir bons resultados sendo explorado até o último bagaço. E sem açúcar!

Fim de ano, por exemplo, é época de responsabilidade socioambiental, de repensar os hábitos de vida. Só não avisaram o bom velhinho, aquele que domina a televisão e as empresas perto do Natal - eu nunca o vi chegar pela chaminé, só pela TV. Depois de sair do shopping com cinco sacolas de desnecessidades, a gente conversa sobre o assunto.

Fim de ano, então, é época de solidariedade no ambiente de trabalho. Isso mesmo: vamos focar nossa energia em trabalhos coletivos, em nome do lucro. Afinal, as férias só virão em abril ou maio. E viva a sinergia - isto é, a exploração coletiva no ambiente de trabalho.

Fim de ano.
Fim da picada.
Fim da paciência.
Finados, 02.11.


Texto e tabela por Rogério Alvarenga [rogerioalvarenga@contratonatural.com.br]

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

>>> mini >>>

QUE PESSOAS PREPARAMOS PARA O MUNDO?


Há pouquíssimo tempo fui a uma festa de aniversário infantil. Não tinha espectativa acerca do divertimento, como em toda festa deste gênero - se adultos formos, vamos por algum tipo de obrigação. Mas, fui surpreendido com o evento.

Havia uma enormidade de diversões para os pequenos, escorregadores, animadores, pipoca (com carrinho e funcionário!), algodão doce e etc. Num dado momento todos os pais foram reunidos para uma atividade "lúdica" (Ufa, não sou pai! pensei eu). Os marmanjos dançaram funk, macarena e pagode baiano.

Depois da maravilhosa apresentação adulta chegara a hora da apresentação infantil. O aniversariante tinha dois anos. Os animadores estavam a postos e cerca de quinze crianças estavam animadas e entusiasmadas para as competições de corrida de saco, adivinhações e coisas do tipo.

O que ocorreu na seqüência foi que os animadores burlavam todas as competições para privilegiar o aniversariante, roubando descaradamente, afinal era o dia dele. Acontece que todas as crianças percebiam e tudo ficou patético. Qual é a lição que levarão para casa? Quem rouba ganha? O pior que são estes pais que dizem que o pior do Brasil é a corrupção.

Não temos que preparar apenas um mundo melhor para nossos filhos, devemos prepará-los para fazer um mundo melhor e exemplo se faz com atitudes domésticas.


Texto por Omar Mendes